Entre os novos negócios que a Cocari está investindo existe o de envase de água mineral, conforme aprovado em Assembleia Geral Extraordinária, em dezembro de 2007. De acordo com o presidente da cooperativa, Vilmar Sebold, a decisão do investimento em água mineral levou em consideração a questão da segurança da água com qualidade, em função tanto da redução da água superficial, quanto do problema de contaminação dessa água.
"No futuro isso terá um valor muito grande agregado. É um diferencial que queremos disponibilizar aos clientes, sendo mais uma opção de diversificação dentro da Cocari. Com isso, pretendemos reduzir o custo fixo que a cooperativa tem e, por consequência, beneficiar a todos os cooperados", ressalta Sebold.
Como primeiro passo para a concretização do projeto, a Cocari adquiriu uma propriedade localizada em Mandaguari para atestar a viabilidade do empreendimento naquele local.
Para conduzir o processo de pesquisa sobre a qualidade da água do poço a ser perfurado, a Cocari contratou o geólogo Cleuber Moraes Brito, que trabalha nesta área há mais de 16 anos.
A área escolhida pela cooperativa possui 2,8 hectares. De acordo com Brito, "a Cocari optou por um sítio com referência histórica-cultural para Mandaguari". Com a aquisição da área e a contratação do geólogo, deu-se início ao processo de estudo para a escolha do local exato para a perfuração do poço.
Após o trabalho investigativo de campo, com base em estudos com fotografia aérea, o geólogo escolheu o local que reunia as melhores condições para iniciar o estudo da captação de água. "Fiz o estudo e decidi a locação, o ponto exato que a gente iria furar. O melhor lugar tecnicamente, levando em consideração critérios geológicos", ressalta.
De acordo com o geólogo, com a perfuração do poço, foi obtida uma vazão excelente, de 22 mil litros por hora, com uma água de excelente qualidade e de caráter mineral.
Na fase atual do projeto, o geólogo está desenvolvendo a pesquisa local para levantar dados que serão condensados em um relatório e protocolados no Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), de onde sairá a comprovação de que a área tem viabilidade para se tornar um empreendimento.
Pelos próximos dias, a Cocari dará início à construção de uma casinha de proteção do poço (onde fica a caixa de controle elétrico). Paralelamente a isso, o geólogo continua a elaboração do relatório de pesquisa. De acordo com Brito, no mês de março ou abril, será protocolada a etapa que consolida a viabilidade da água encontrada na área adquirida pela Cocari.
A próxima etapa será apresentar o projeto da indústria, quando serão decididos como será a rede elétrica, os barracões, pavimentação, terraplanagem. "Tudo isso também será protocolado no órgão do governo e depois seguirá para Brasília, para a outorga do ministro das Minas e Energias", completa.
Licença ambiental
Outro importante passo nesse processo é a obtenção da licença ambiental, necessária para o pleno funcionamento da atividade, e que garante que os seus resíduos sólidos e efluentes não causem problemas ao local. Para isso, de acordo com o geólogo, é feito o pedido ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP), onde também é elaborado um Plano de Controle Ambiental (PCA), no qual são diagnosticados os impactos ambientais da atividade e propostas de controle e recuperação ambiental, tais como, o tratamento de efluentes da indústria, destinação dos resíduos sólidos, projeto de galerias pluviais, recuperação da mata local, entre outras.
Com isso, o empreendimento, além de manter boas práticas industriais, indispensáveis à manutenção do padrão de qualidade da água, também implantará práticas ambientais sustentáveis.
Para o geólogo, o objetivo da Cocari é fazer o paisagismo junto com a indústria, o que tornará o local um ambiente para visitação. “Existe uma preocupação da Cocari de não se mudar muito o local, fazer a recuperação da área que está degradada, porque o empreendimento não vem para piorar. A Cocari vai cuidar da melhora do meio ambiente no local.”
Como relata Cleuber Moraes Brito, após essas etapas documentais, será expedida oficialmente a liberação para se comercializar água. Apartir daí, a Cocari dará início à fase da construção da indústria, compra de maquinários e ajuste de equipamentos para começar a produção.
"Vamos trabalhar em 2010 para que até o final do ano todas as licenças e anuências sejam dadas. Imagino que em 2011 comece a construção da fábrica e, provavelmente, até o fim de 2011 a indústria deva estar iniciando as atividades", aponta o geólogo.
Região possui alto potencial hídrico subterrâneo
A vazão encontrada com a perfuração do poço na área da Cocari foi de 22 mil litros por hora, considerada excelente para a indústria. "A partir de 5 mil litros já daria para viabilizar o empreendimento. Chegamos a 22 mil litros por hora, então, temos um poço que não apresenta problema para sustentar a fábrica." Ele relata que se a Cocari triplicar o envase, ainda pode perfurar outro poço na propriedade para agregar na produção, que deve variar de acordo com a demanda. "Pode-se trabalhar com reservatório de água também, mas quem tem muita vazão de poço não precisa investir em muitos reservatórios."
A água encontrada na área da Cocari é classificada como água mineral fluoretada, ou seja, tem flúor na composição, sendo proveniente do aquífero Serra Geral. "As águas desse aquífero não tem gosto acentuado, são inodoras e possuem uma química interessante porque trazem muitos minerais que a gente necessita. São águas equilibradas, com teores minerais sem excesso ou falta de nada. É um produto fantástico. Perfeita, a meu ver."
Aquífero Serra Geral
O Aquífero Serra Geral é formado por rochas bastante impermeáveis originadas por derrames basálticos da Formação Serra Geral e intrusões diabásicas, dessa forma, a produção de águas subterrâneas ocorre somente ao longo de falhas e fraturas das rochas e intercalação com rochas mais permeáveis.
A recarga para este aquífero se dá através da precipitação pluvial sobre os solos basálticos, que vão atingir as regiões fissuradas da rocha matriz. Ocorre também um grande intercâmbio de água com o aquífero Bauru, localizado acima, e também com o aqüífero inferior, constituído pelos arenitos Botucatu e Pirambóia. As principais saídas de drenagem desse aqüífero basalto são os rios.
http://www.cetesb.sp.gov.br
Redação da Cláudia Comunicações & Eventos