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Dia de Campo de Café aborda qualidade, produtividade e novos mercados

28/09/2018 - 09:32:26  Cocari
Redação da C7 Comunicação


Atenta às tendências do mercado da cafeicultura, em 29 de agosto a Cocari promoveu o Dia de Campo de Café, na Associação Atlética e no Centro Tecnológico da cooperativa, ambos em Mandaguari. Na ocasião, produtores puderam conferir palestras com profissionais de extenso conhecimento sobre a cultura, bem como trocar informações com técnicos e representantes de empresas parceiras. 


O objetivo do dia de campo é atualizar os cooperados quanto ao cenário atual e despertá-los para as oportunidades que se abrem e que podem representar a permanência na atividade, além de agregar rentabilidade. “Nosso intuito é de contribuir para a melhoria das lavouras de nossos cooperados, tanto na qualidade do produto, como no aumento da produtividade, por meio das tecnologias que o mercado disponibiliza e que podem ser implementadas nas propriedades”, destacou o vice-presidente da Cocari, Dr. Marcos Trintinalha.


Diante das mudanças impostas pelo mercado, os produtores não podem ficar limitados à produção de commodity. “Para isso é que a Cocari realiza o dia de campo, com a presença de pesquisadores do Iapar e Emater, técnicos renomados que trabalham em parceria conosco para estudar o que podemos fazer no processo produtivo de forma a diminuir as perdas e contribuir para a inserção da produção de nossos cooperados no mercado de Café Premium, porque temos qualidade para isso”, enfatizou. 


Dr. Marcos Trintinalha afirmou que os dias de campo de café ajudam a resgatar um pouco da história da Cocari. “Não podemos nos esquecer de que a Cocari nasceu na cafeicultura paranaense. Nosso primeiro presidente, Dr. Oripes Rodrigues Gomes, fundou a cooperativa vislumbrando isso, foi um grande nome dentro do cooperativismo e da cafeicultura em todo o território nacional. Então, esse evento também é um resgate das nossas origens”, finalizou. 


Romualdo Batista, prefeito de Mandaguari, comentou o fato de o município já ter sido a capital do café. “Se hoje não impera como primeiro município em produção, tem sido o primeiro em qualidade”, disse, se referindo ao cooperado José Carlos Rosseto. “Homem forte do café, que sabe produzir com qualidade e para nós é um orgulho, e serve de incentivo para cafeicultores de outros municípios”, destacou.   


O prefeito citou o programa municipal de incentivo à cafeicultura, que tem contribuído para o desenvolvimento da produção. “Estamos chegando à casa de 1 milhão de mudas distribuídas entre os produtores, gratuitamente, exigindo apenas que obedeçam ao critério do programa, que é produzir buscando melhor qualidade”, observou, destacando ainda que frente à mão-de-obra deficitária, para produzir mais e melhor é preciso inovar. “Os sistemas mudaram e temos de fazer o que é melhor. Fico feliz com o empenho da cooperativa, que juntamente com a Emater tem atuado nessa parceria que fortalece a iniciativa, assim como no cooperativismo, que é exemplo para o mundo no trabalho conjunto. E o setor público tem buscado fazer junto com quem entende de cafeicultura”, destacou.


A qualidade do café pós-colheita foi tema da palestra com o técnico do Programa de Café do Iapar, Denilson Fantin, que também é classificador e degustador credenciado pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). “Começamos este programa no Iapar há 33 anos. Depois tiveram início os trabalhos de pesquisa no Centro Tecnológico da Cocari, com os ensaios de adubação x variedades”, contou. Em sua palestra, Fantin apontou que no século XX o café já era o melhor produto de exportação brasileiro. O consumidor, por outro lado, não se importava com a qualidade, queria concentração, energia, estímulo, que era o que a bebida fornecia. 


O surgimento das máquinas de café expresso e a abertura de cafeterias, na década de 1960, nos Estados Unidos, chamaram atenção para o fato de que café não é tudo igual. Começavam as mudanças, que no Brasil demoraram um pouco mais para serem percebidas, mas os órgãos de pesquisas realizaram intensos trabalhos para envolver e conscientizar os produtores da necessidade de se adequarem a esse mercado que surgia. 




“Todo esse movimento teve por objetivo aumentar a produção de café com qualidade superior, valorizar e promover o marketing das regiões produtoras, conquistar novos mercados e oportunidades de negócios, seguir o crescimento de mercados especiais, aumentar a rentabilidade dos produtores e quebrar o paradigma de que o café do Paraná não alcançava qualidade”, apontou o palestrante. 


Denilson Fantin comentou uma pesquisa da Abic (Associação Brasileira da Indústria do Café), que revela que jovens de todo o mundo passaram a se interessar mais por café, mas querem experiências novas, variedades de bebidas feitas à base de café. A invenção das cápsulas (monodoses) e as propagandas das marcas de cafés especiais ganharam destaque, despertando o consumidor brasileiro, que está cada vez mais informado e exigente, e questiona origem, variedade e técnica de produção. “O consumo dos cafés Gourmet e Premium está crescendo e temos de estar atentos ao que o mercado procura. O produtor precisa se reinventar, continuar fazendo commodity, que sempre vai ter mercado, mas destinar parte da área para a produção de café especial, para obter ganho diferenciado”, argumentou Fantin.


Qualidade inclui escolha de variedade, tipo de solo adequado à variedade, condições climáticas, beneficiamento, cuidados na colheita e pós-colheita, tratos culturais, industrialização e preparo de bebida. “Em condições climáticas não podemos interferir, é Deus quem manda, mas nos outros quesitos depende da atitude do produtor”, ponderou.


 


Dicas importantes


O engenheiro agrônomo Francisco Barbosa Lima, pesquisador voluntário do Iapar, classificador e degustador credenciado pelo Mapa, passou suas experiências como técnico e produtor de café.


Numa rápida pesquisa entre os participantes, Barbosa pôde constatar que a grande maioria ainda não está pensando em produzir cafés especiais. Ele diz que no Brasil as mudanças ocorrem mais lentamente porque o consumidor se acostumou a tomar café super torrado, forte e extraforte, tipo de torra que esconde os defeitos. O palestrante aconselhou aos produtores a fazerem a torra média, que preserva as substâncias positivas do grão. “O café tem vitaminas, proteínas, lipídeos, ácido clorogênico, que é a substância mais importante do café, responsável pela sensação de bem-estar, e as torras forte e extraforte destroem essas substâncias, mantendo apenas a cafeína, que não é destruída com a temperatura”, enfatizou.


O pesquisador orientou aos cafeicultores que se organizem, por meio da cooperativa, para buscar a certificação Fairtrade, que traz aprendizado de gerenciamento da propriedade, desde a análise de solo à fase final de processamento do café. 


João Miguel Ruas, engenheiro agrônomo da Yara Fertilizantes, também falou sobre cafés especiais, que surgem como alternativa para melhorar a renda do produtor, mas ressaltou a necessidade de altas produtividades. “Talvez Mandaguari seja um pouco diferente em se tratando de cenário da cafeicultura, porque aqui realmente os produtores já conduzem a lavoura adequadamente e já cuidam da parte nutricional, então é mais fácil falar em altas produtividades”, observou. 


Mesmo quem produz entre 40 e 50 sacas consegue fazer com que essa produtividade seja rentável. O desafio é fazer com que a planta consiga usar o nutriente que o solo disponibiliza. “Em cultura perene, como o café, isso é muito importante e o cooperado tem condições de fazer, porque pode contar com a assistência dos técnicos da Cocari”, apontou.


Ruas apresentou a Yara, destacando que em Mandaguari a empresa se tornou referência devido ao Concurso NossoCafé, que teve como vencedor o cooperado Wagner Rosseto, na Categoria Natural, e estendeu o convite aos produtores da região. “Usando o nosso programa nutricional, o produtor está apto a participar do concurso, que traz bastante visibilidade”, reforçou. 


A Yara recebeu os cafeicultores em seu estande no CTC, com área conduzida há cerca de dois anos, e sempre alcançando incremento na produtividade. Durante o evento o palestrante mostrou os resultados na prática. “Queremos o produtor obtendo seu máximo potencial produtivo”, finalizou.


 


Áreas demonstrativas


A segunda parte do dia de campo foi destinada a visitas às estações na área demonstrativa do CTC. Foram apresentadas inovações que permitem o alcance da qualidade e de maior produtividade. 


“A Cocari conta rotineiramente com equipe técnica, assessorando no que tange à variedade a ser plantada, o melhor tipo de adubação, o espaçamento ideal, as tecnologias disponíveis. E nos dias de campo o produtor pode observar bem essas possibilidades para produzir mais e melhor”, frisou Dr. Marcos Trintinalha.


A Cocari entende como necessária a busca pelo diferencial de qualidade na produção, para agregar valor ao produto e resultar em melhores preços de venda da commodity no mercado, viabilizando a atividade, com maior lucratividade para os cafeicultores associados. E esse processo começa no campo.


 


Instituições parceiras


Parcerias sólidas contribuem para o sucesso nos eventos de difusão tecnológica da Cocari, trazendo inovação e melhorias a serem apresentadas aos produtores. Nesta edição do Dia de Campo de Café, o Departamento Técnico da cooperativa trabalhou em conjunto com o Iapar, Emater, Basf, Bayer, Coonagro, Corteva, FMC, Forquímica, Syngenta e Yara. Contou ainda com estande da Caixa Econômica Federal, que participou pela primeira vez. O gerente geral, Nilton Cezar Grossi, esteve presente e com sua equipe recebeu os produtores para expor as alternativas de financiamento de máquinas e equipamentos, para que façam o melhor dentro de sua propriedade.

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