Chuva exige atenção redobrada dos produtores na implantação da soja
Resumo da notícia
Condições do solo, qualidade das sementes e cuidados nas primeiras fases são fundamentais para o estabelecimento da lavoura
O período de implantação da safra de verão 2026/2027 exige
atenção redobrada dos produtores paranaenses. Com as chuvas frequentes
registradas no Estado e a previsão de continuidade das precipitações nos
próximos dias, as condições de umidade do solo passam a ter papel ainda mais
importante tanto para quem já iniciou a semeadura quanto para quem ainda
aguarda o momento adequado para plantar.
A orientação da equipe técnica da Cocari é que o produtor
não transforme a janela de plantio em uma corrida. A decisão de semear deve
considerar as condições reais de cada área, principalmente a umidade do solo,
além da qualidade das sementes, do tratamento utilizado e das condições
necessárias para uma boa germinação e emergência.
“Não tem muita recomendação diferente: é utilizar sementes
certificadas, um bom tratamento de sementes e só iniciar a semeadura quando o
solo apresentar as condições de umidade adequadas”, orienta Rafael Herrig Furlaneto,
gerente técnico do DETEC da Cocari.
Para quem ainda vai plantar
Em períodos de chuva mais frequente, um dos principais
cuidados é evitar a entrada de máquinas em solo encharcado. Além de prejudicar
a qualidade da operação de semeadura, o tráfego nessas condições aumenta o
risco de compactação.
“O cuidado deve ser com o solo. Não plantar com solo
encharcado, lembrando que a semente e a plântula precisam de oxigênio para
germinar e se desenvolver”, explica Rodrigo Valentini Rombaldi, supervisor
técnico da Cocari para o Paraná Baixo.
Segundo o técnico, também é importante evitar o tráfego de
máquinas pesadas em áreas muito úmidas e acompanhar as previsões de chuva para
definir o melhor momento para a operação.
A condição da área antes da semeadura também merece atenção.
O manejo das plantas daninhas deve ser realizado de acordo com a situação de
cada talhão, evitando que espécies como buva, caruru, capim-amargoso e
capim-pé-de-galinha avancem para dentro da lavoura.
A dessecação é uma das ferramentas disponíveis, mas outras
estratégias podem fazer parte do manejo, como aplicações sequenciais e o uso de
herbicidas pré-emergentes. A manutenção da cobertura do solo também contribui
para a conservação da área e para o manejo das plantas daninhas.
Outro cuidado é a profundidade de plantio. Em períodos de
chuva, a operação deve considerar tanto a umidade existente no solo quanto a
previsão para os dias seguintes.
“É importante plantar com o solo úmido, aproveitando as
janelas com previsão adequada, e sempre acompanhar as condições de cada área”,
acrescenta Rodrigo.
Semente de qualidade é ainda mais importante
As condições climáticas adversas reforçam a importância de
começar a safra com sementes de qualidade, especialmente quando se considera o
vigor e o potencial de germinação dos lotes.
O processo de produção e beneficiamento das Sementes Cocari
envolve análises e controles de qualidade que avaliam características como
germinação, vigor e pureza. O tratamento industrial de sementes também
contribui para a proteção da cultura nos primeiros estágios de desenvolvimento.
Em condições de maior umidade, a sanidade do lote e a
proteção oferecida pelo tratamento de sementes ganham importância ainda maior,
já que períodos chuvosos podem favorecer a ocorrência de doenças associadas ao
solo.
“Precisamos ter sementes com um tratamento de qualidade para
atravessar melhor as condições adversas”, destaca Fábio Barbosa Ribeiro,
supervisor técnico da Cocari para o Paraná Alto.
Segundo ele, produtos biológicos utilizados no sulco de
plantio também podem auxiliar na proteção da lavoura, conforme a estratégia
definida para cada área.
Novas tecnologias de tratamento de sementes, incluindo
soluções que associam produtos biológicos e químicos, também estão disponíveis
para diferentes situações. A escolha deve sempre considerar as características
da área e a orientação técnica.
Inoculação também exige cuidado
Outro ponto importante na implantação da soja é a inoculação
das sementes, tecnologia que contribui para a Fixação Biológica de Nitrogênio
(FBN).
A inoculação introduz bactérias capazes de estabelecer uma
relação de simbiose com a soja e formar nódulos nas raízes, onde ocorre a
fixação do nitrogênio atmosférico. Para que o processo seja eficiente, porém, é
necessário preservar a viabilidade das bactérias desde a aplicação até o
contato com as raízes.
Por isso, devem ser observados fatores como qualidade e
validade do inoculante, condições de armazenamento, dose recomendada,
compatibilidade com o tratamento de sementes e intervalo entre a inoculação e a
semeadura.
A operação também deve ser protegida do calor excessivo e da
exposição direta ao sol. Quando realizada diretamente na semente, a
recomendação é que a semeadura ocorra dentro do intervalo indicado para o
produto utilizado.
Depois da emergência, o produtor ainda pode acompanhar a
formação dos nódulos nas raízes para verificar se a inoculação está
apresentando resultado.
E quem já plantou?
Para as áreas que já foram semeadas e estão entrando nas
fases de germinação e emergência, o momento também exige acompanhamento.
A primeira preocupação é observar como a lavoura está
respondendo às condições de umidade. Excesso de água pode reduzir a
disponibilidade de oxigênio no solo e prejudicar a germinação e o
desenvolvimento inicial das plântulas.
O produtor deve acompanhar a emergência e observar possíveis
falhas, além das condições sanitárias da lavoura. Períodos prolongados de chuva
podem criar ambiente favorável ao desenvolvimento de doenças, tornando
importante o monitoramento desde os primeiros estágios.
A qualidade da semente e do tratamento realizado antes da
semeadura pode fazer diferença justamente nesse momento, ajudando a cultura a
atravessar condições adversas durante o estabelecimento inicial.
O acompanhamento também permite identificar problemas de
nodulação. A presença e a atividade dos nódulos nas raízes podem ser
verificadas ainda nas primeiras fases de desenvolvimento. Quando houver baixa
formação de nódulos ou qualquer outra alteração no estabelecimento da cultura,
a recomendação é procurar a equipe técnica para avaliar as possíveis causas.
Chuva não muda a importância do planejamento
A primeira estimativa do Deral para a safra 2026/2027 aponta
potencial de produção de 22,6 milhões de toneladas de soja no Paraná, em uma
área estimada de 5,76 milhões de hectares. A produtividade média projetada
supera 3.900 quilos por hectare.
O cenário reforça o potencial da nova safra, mas também
evidencia a importância de uma implantação tecnicamente bem conduzida. A
influência do El Niño tende a favorecer maior frequência de chuvas no Sul do
Brasil, justamente em um período em que grande parte das lavouras está sendo
implantada.
Nesse contexto, a recomendação da Cocari é transformar a
previsão de chuva em informação para a tomada de decisão — e não em motivo para
antecipar operações em condições inadequadas.
Para quem ainda não plantou, isso significa aguardar a
condição adequada de solo, sem abrir mão do manejo pré-plantio, da qualidade
das sementes e da regulagem das máquinas.
Para quem já plantou, significa acompanhar de perto a
germinação, a emergência, a sanidade e o desenvolvimento inicial da lavoura.
Cada área tem suas particularidades. Por isso, o
acompanhamento da equipe técnica é fundamental para avaliar as condições do
solo, definir o momento adequado das operações e escolher as estratégias mais
indicadas para cada situação.
A safra começa no planejamento. E, neste momento, saber
esperar a condição adequada pode ser tão importante quanto saber aproveitar a
janela de plantio.







