Pesquisa nacional traça retrato da cultura cooperativista no Brasil
Resumo da notícia
Levantamento do Sistema OCB ouviu 9.761 pessoas nas 27 unidades da Federação e identifica avanços na relação entre cooperados e cooperativas, além de desafios relacionados à participação, educação e formação de novas lideranças
A cultura cooperativista brasileira passa a contar com uma
referência inédita em âmbito nacional. A primeira Pesquisa Nacional de
Cultura Cooperativista, realizada pelo Sistema OCB, ouviu 9.761 pessoas nas
27 unidades da Federação e apresenta um retrato de como cooperados, empregados
e dirigentes percebem e vivenciam os princípios e valores do cooperativismo.
O levantamento ouviu 2.983 cooperados, 5.998 empregados e
780 dirigentes, além de realizar entrevistas em profundidade com 46 pessoas
de 37 cooperativas. Os resultados mostram uma relação sólida entre os
cooperados e suas organizações, mas também apontam oportunidades de avanço,
especialmente em participação, conhecimento sobre o modelo cooperativista e
preparação de novas lideranças.
A pesquisa foi realizada em um momento de forte expansão do
cooperativismo brasileiro. Entre 2019 e 2025, o número de cooperados passou de 15,5
milhões para 29 milhões. Isso significa que, nos últimos sete anos, uma
média de 6.160 pessoas ingressou diariamente em uma cooperativa.
O crescimento é ainda mais expressivo no Ramo Crédito,
que passou de 10,7 milhões para 23 milhões de cooperados no período, um aumento
de 115%.
Confira os principais resultados
O Sistema OCB também preparou um infográfico com os
principais números da pesquisa.
Entre os 46 indicadores avaliados pela pesquisa, a relação
dos cooperados com suas cooperativas aparece como um dos resultados mais
positivos.
93% dos cooperados afirmam sentir o dever moral de honrar
seus compromissos com a cooperativa. Além disso, 89% recomendariam a
organização da qual fazem parte e pretendem manter uma relação de longo prazo
com ela.
Outro dado relevante é que 87% afirmam manter sua
fidelidade à cooperativa mesmo em momentos de crise.
Para Guilherme Costa, gerente do Núcleo de Inteligência e
Inovação do Sistema OCB, os resultados indicam a existência de uma base de
confiança sobre a qual o movimento cooperativista pode avançar.
“Os resultados mostram que existe uma base muito positiva:
as pessoas têm confiança nas cooperativas e querem manter esse vínculo. Agora,
precisamos entender como transformar essa relação em maior participação e
conhecimento sobre o modelo”, explica.
Segundo ele, o crescimento da base de cooperados também
reforça a necessidade de ampliar o conhecimento e a identificação das pessoas
com o cooperativismo.
Educação aparece como prioridade
Entre os sete princípios do cooperativismo, educação,
formação e informação foi apontado como o mais importante pelos três
públicos participantes da pesquisa.
O princípio é considerado prioritário por 58% dos
cooperados, 71% dos empregados e 57% dos dirigentes.
O levantamento também cruzou a importância atribuída aos
princípios com sua presença na prática cotidiana das cooperativas. Nesse
aspecto, a adesão voluntária aparece como o princípio mais presente,
enquanto o controle democrático apresenta a maior diferença entre a
importância atribuída e sua prática.
Os dados reforçam o papel da educação cooperativista como
instrumento para fortalecer o conhecimento sobre o modelo, ampliar a
participação e aproximar ainda mais as pessoas das cooperativas.
Participação é um dos desafios apontados
Se a relação entre cooperados e cooperativas apresenta
indicadores positivos, a participação aparece como um dos principais pontos de
atenção.
De acordo com dados autodeclarados pelas cooperativas no AnuárioCoop 2026, a presença em assembleias varia entre os
diferentes ramos e chega a 6% no Crédito.
Nos demais ramos, os índices registrados são de 58% no
Trabalho, 47% no Transporte, 43% no Consumo, 36% no Agropecuário e 28% na Saúde.
Entre os cooperados que apontam dificuldades para participar
mais ativamente da cooperativa, a falta de tempo aparece como principal
motivo, citada por 36% dos entrevistados.
Também foram apontadas:
- 22%
— falta de informação sobre como participar;
- 12%
— desconhecimento sobre a possibilidade de participação;
- 10%
— falta de conhecimento sobre o cooperativismo;
- 9%
— falta de interesse.
Para Guilherme Costa, os dados indicam que a menor
participação não está necessariamente relacionada à falta de interesse.
“Há uma parcela significativa que precisa de mais informação
e conhecimento para entender como pode participar. É uma oportunidade para
aproximar o cooperado da cooperativa”, afirma.
Renovação das lideranças é outro ponto de atenção
A pesquisa também chama a atenção para a sucessão e a
formação de novas lideranças dentro das cooperativas.
Entre os dirigentes entrevistados, a afirmação de que a
cooperativa terá pessoas preparadas para substituir suas atuais lideranças está
entre aquelas que apresentam menor nível de concordância.
Os dados revelam uma diferença importante entre as faixas
etárias. Pessoas de 18 a 34 anos representam 45% dos empregados, mas apenas
17% dos cooperados e 6% dos dirigentes. Entre os dirigentes, 62% têm 51
anos ou mais.
O estudo também identifica diferenças na percepção do
cooperativismo entre as gerações. Os jovens atribuem maior importância aos
princípios de educação e cooperação do que as pessoas com 51 anos ou
mais. Por outro lado, atribuem menor peso à adesão voluntária e ao controle
democrático.
Os números colocam a formação de novas lideranças e a
aproximação das novas gerações entre os temas relevantes para o futuro do
movimento cooperativista.
Uma referência para o futuro do cooperativismo
Mais do que apresentar um retrato do momento atual, a
Pesquisa Nacional de Cultura Cooperativista estabelece uma primeira
referência nacional para acompanhar a evolução da cultura cooperativista ao
longo do tempo.
Os resultados permitem identificar pontos em que o
cooperativismo já apresenta uma relação consolidada com seus públicos e
aspectos que ainda demandam atenção, especialmente nas áreas de educação,
participação, formação de lideranças e fortalecimento da cultura cooperativista.
“O levantamento também orienta novas ações de educação,
participação, formação de lideranças e fortalecimento da cultura
cooperativista”, destaca Guilherme Costa.
Para as cooperativas, os dados oferecem subsídios para
compreender melhor a relação com seus diferentes públicos e identificar
caminhos para fortalecer o vínculo, ampliar o conhecimento sobre o modelo
cooperativista e estimular uma participação cada vez mais efetiva.
Fonte: Sistema OCB







