Reforma Tributária exige mais organização da gestão rural, e Cocari orienta cooperados a se prepararem
Resumo da notícia
Mudanças começam a produzir efeitos a partir de 1º. de janeiro de 2027 e torna fundamental o controle das operações e da documentação fiscal
A Reforma Tributária sobre o Consumo começa a entrar em uma
nova etapa. A partir de 1º de janeiro de 2027, o produtor rural passará a
conviver com novas regras relacionadas à CBS (Contribuição sobre Bens e
Serviços) e ao IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), em um processo de transição
que se estenderá até 2032, com implantação completa do novo sistema prevista
para 2033.
Embora parte importante da regulamentação ainda esteja sendo
detalhada, uma coisa já está clara: o produtor rural precisará ter cada vez
mais controle sobre as informações de sua própria atividade.
É justamente por isso que a Cocari recomenda aos cooperados
que comecem desde já a organizar documentos, receitas, despesas, compras,
vendas e demais informações relacionadas à propriedade.
A orientação vale para produtores de todos os portes, mas
ganha importância especial entre os pequenos produtores. Na base de cooperados
da Cocari, mais de 70% possuem áreas inferiores a 100 hectares. Para esse
grupo, muitas vezes a gestão da propriedade ainda é feita com controles
simples, anotações manuais ou concentrada na própria rotina da família.
A mudança tributária não significa que o produtor precise
transformar sua propriedade em uma empresa complexa. Significa, principalmente,
que as informações sobre o que acontece dentro dela precisarão estar cada
vez mais organizadas e disponíveis.
Começar pelo básico
Uma das primeiras providências é separar, tanto quanto
possível, as movimentações da atividade rural das despesas pessoais da família.
Também é importante guardar e organizar notas fiscais de
compra de sementes, fertilizantes, defensivos, máquinas, peças, combustíveis,
serviços e demais itens utilizados na produção.
Da mesma forma, as receitas provenientes da comercialização
da produção precisam estar registradas e relacionadas aos respectivos
documentos fiscais.
A organização permite que o produtor tenha uma visão mais
clara de quanto entra, quanto sai e quanto custa produzir. Com isso, a gestão
da propriedade deixa de depender apenas da memória ou de estimativas e passa a
contar com informações que ajudam nas decisões do dia a dia.
Nota fiscal ganha ainda mais importância
A documentação fiscal terá papel central no novo sistema
tributário.
A partir de 2027, entram em vigor novas exigências
relacionadas ao CNPJ e à emissão de documentos fiscais para produtores rurais
pessoa física abrangidos pela regulamentação da CBS. O Decreto nº 13.075/2026
adiou essas obrigações para 1º de janeiro de 2027, ampliando o período de
preparação.
Isso significa que o produtor não precisa esperar 2027 para
começar a se organizar.
Quanto melhor estiverem organizadas hoje as informações
da propriedade, mais simples será a adaptação às novas exigências.
Pequeno produtor também precisa se preparar
A Reforma Tributária estabelece regras diferentes conforme o
enquadramento e a receita da atividade rural. Produtores com receita inferior a
R$ 3,6 milhões, por exemplo, não são automaticamente obrigados a entrar no
regime regular do IBS e da CBS, embora possam existir situações em que a opção
pelo regime regular seja possível. A decisão depende da realidade de cada
produtor e deve ser avaliada com orientação profissional.
Por isso, não é recomendável tomar decisões apenas com base
em informações recebidas de outros produtores, grupos de mensagens ou redes
sociais.
O caminho mais seguro é conhecer a própria realidade: quanto
a propriedade produz, quanto compra, quanto vende, quais são seus custos e como
estão documentadas essas operações.
Organização também ajuda na gestão
A preparação para a Reforma Tributária pode trazer um
benefício que vai além do cumprimento das novas regras.
Ao registrar melhor as receitas e despesas, o produtor
consegue acompanhar os custos de produção, avaliar a rentabilidade das
atividades e planejar investimentos com mais segurança.
Também passa a ter informações mais organizadas para
conversar com o contador, buscar crédito, contratar seguros e tomar decisões
relacionadas à produção.
Ou seja, a organização exigida pelo novo ambiente tributário
pode se transformar também em uma ferramenta de gestão da propriedade.
Cocari orienta cooperados
A Cocari acompanha a regulamentação da Reforma Tributária e
está preparando uma série de conteúdos para ajudar os cooperados a compreender
as mudanças e identificar, com antecedência, o que poderá afetar sua atividade.
A proposta é traduzir uma legislação complexa para situações
que fazem parte da rotina do produtor rural, com atenção especial às diferentes
realidades existentes dentro do campo.
Nos próximos conteúdos, a cooperativa abordará temas como
CNPJ do produtor rural, limite de receita, condição de contribuinte ou não
contribuinte, documentos fiscais, relação entre cooperativa e cooperado,
créditos tributários, exportação, operações de barter e as regras de transição
entre o sistema atual e o novo modelo.
A orientação da Cocari é simples: não deixe para 2027 a
organização que pode começar agora.
Reunir documentos, registrar receitas e despesas, separar as
contas pessoais das contas da propriedade e buscar orientação profissional são
medidas que ajudam o produtor a chegar à nova etapa da Reforma Tributária mais
preparado.
Informação e organização também fazem parte da
produtividade da propriedade rural.
A Cocari continuará acompanhando as mudanças e levando aos
cooperados informações atualizadas para apoiar esse processo.







