O inverno começa oficialmente no próximo dia 21 de junho e, com a chegada da estação, produtores rurais precisam redobrar a atenção com o manejo das lavouras e dos rebanhos. Nas regiões do Paraná ou no Cerrado, o período traz desafios específicos que exigem planejamento, monitoramento constante e adoção de estratégias adequadas para manter a produtividade e a rentabilidade das propriedades.
Nas áreas de atuação da Cocari no Paraná, a semeadura do trigo entra em fase final, com exceção da região dos Campos Gerais, onde a semeadura ocorreu parcialmente em algumas áreas, mas boa parte terá o plantio concluído entre os meses de julho e agosto.
Nas áreas plantadas, a dedicação se concentra aos tratos culturais da lavoura. Segundo o supervisor do Departamento Técnico (Detec) da cooperativa na região Paraná Alto, Fábio Ribeiro, o momento é decisivo para o desenvolvimento da cultura.
“O trigo está entrando na fase de perfilhamento, estágio em que é fundamental realizar a adubação nitrogenada de cobertura para estimular a formação de perfilhos e aumentar o potencial produtivo da lavoura. Também é o período ideal para o controle de plantas daninhas em pós-emergência, quando elas ainda estão pequenas e o controle é mais eficiente”, explica.
Entre as invasoras que exigem atenção está a soja tiguera, cuja eliminação é obrigatória para o cumprimento do vazio sanitário vigente no norte do Paraná entre os dias 2 de junho e 31 de agosto de 2026.
Além do manejo nutricional, o monitoramento de pragas e doenças deve ser intensificado. De acordo com Fábio Ribeiro, as condições de clima úmido e temperaturas amenas favorecem o aparecimento de doenças importantes na cultura. “O produtor precisa estar atento principalmente ao oídio, que é bastante agressivo e deve ser controlado preventivamente ou logo no início da infecção. Também é importante monitorar o complexo de manchas, como a mancha amarela e a mancha marrom, além da ocorrência de pulgões e lagartas”, orienta.
Outro manejo que pode contribuir para o desempenho da cultura é a nutrição foliar, com fornecimento complementar de micronutrientes, nitrogênio e potássio, favorecendo o desenvolvimento das plantas e a rentabilidade da atividade.
Pecuária: planejamento é a palavra-chave
Para os pecuaristas do Paraná, o inverno exige atenção principalmente à nutrição e à sanidade dos animais.
O consultor Luiz Felipe, do Departamento Veterinário (Devet) da Cocari, destaca que os desafios da estação começam muito antes da chegada das temperaturas mais baixas. “O inverno não começa quando chega o frio. Ele começa no planejamento. Nesse período, a qualidade das pastagens diminui, reduzindo os teores de proteína, energia e digestibilidade. Por isso, a suplementação deixa de ser um custo e passa a ser uma estratégia para manter o desempenho do rebanho”, ressalta o médico veterinário.
Segundo ele, o uso de proteinados e suplementos proteico-energéticos deve ser definido de acordo com cada categoria animal. Os proteinados ajudam a melhorar o aproveitamento da fibra presente nas pastagens mais secas, contribuindo para a manutenção do ganho de peso e da condição corporal dos animais.
A sanidade também merece atenção especial durante o inverno. “Animais com menor condição corporal ficam mais vulneráveis a doenças respiratórias e ao parasitismo. Por isso, o período também é estratégico para a utilização de vermífugos e para a adoção de medidas preventivas que garantam a saúde do rebanho”, afirma.
Período seco exige estratégia e gestão nas propriedades do Cerrado
Nas regiões do Cerrado, onde o inverno é marcado pela redução das chuvas e pela queda da qualidade das pastagens, o planejamento antecipado torna-se uma ferramenta essencial para manter a produtividade do rebanho.
Segundo o médico veterinário do Devet Cerrado, Elimar Fernandes de Abreu, a seca afeta diretamente a disponibilidade e o valor nutricional da forragem, podendo comprometer o ganho de peso dos animais, a eficiência reprodutiva e os resultados econômicos da atividade.
“A seca exige gestão. O produtor que avalia antecipadamente a disponibilidade de forragem e define estratégias nutricionais adequadas consegue atravessar o período com mais segurança e melhores resultados produtivos”, destaca.
De acordo com ele, durante esse período as pastagens tropicais apresentam redução significativa dos teores de proteína e energia, tornando a suplementação uma ferramenta indispensável. A estratégia deve considerar a categoria animal, a disponibilidade de alimento e os objetivos produtivos da propriedade.
Entre as alternativas utilizadas estão os suplementos proteicos de baixo consumo, indicados para corrigir deficiências nutricionais das pastagens e manter o desempenho dos animais durante a seca. Já os suplementos proteico-energéticos podem ser adotados quando o objetivo é acelerar a recria, aumentar o ganho de peso ou melhorar os resultados da terminação.
Outra opção é o uso do sal ureado em situações onde existe quantidade de pasto disponível, mas com deficiência proteica. Nesses casos, a ureia fornece nitrogênio para os microrganismos do rúmen, melhorando o aproveitamento da fibra da forragem. Entretanto, o manejo exige acompanhamento técnico e adaptação adequada dos animais.
Além da suplementação, Elimar ressalta a importância da formação de reservas alimentares. “Silagem, feno e pastagens são estratégias que contribuem para reduzir os impactos da escassez de alimento e garantem maior estabilidade produtiva durante os meses mais secos do ano”, aponta.
A sanidade também deve fazer parte do planejamento. “A redução da qualidade nutricional das pastagens pode comprometer a imunidade dos animais, aumentando a susceptibilidade a enfermidades e reduzindo o desempenho produtivo”, alerta o veterinário.
Entre os principais desafios sanitários da estação estão as doenças respiratórias, favorecidas pelas amplitudes térmicas, baixa umidade relativa do ar e aumento da poeira nas áreas de manejo. “O controle de carrapatos também merece atenção especial, já que os parasitas podem causar perdas produtivas e transmitir enfermidades como a Tristeza Parasitária Bovina”, acrescenta Elimar.
Animais jovens também exigem monitoramento constante. Mesmo com menor incidência de verminoses em comparação ao período chuvoso, bezerros e animais em recria podem sofrer perdas de desempenho quando associados a desafios nutricionais. Outro problema que pode ocorrer durante a seca é a ceratoconjuntivite infecciosa bovina, favorecida pela poeira, radiação solar intensa e presença de moscas.
Atenção ao feijão nas regiões de Minas Gerais e Goiás
Ainda com relação às regiões de atuação da Cocari em Minas Gerais e Goiás, os produtores que cultivam feijão também precisam redobrar os cuidados durante este período.
Segundo Micael Henrique Borges, consultor técnico do Detec da unidade de Guarda-Mor (MG), as chuvas registradas nos últimos dias aumentaram a umidade do solo e criaram condições favoráveis ao desenvolvimento de doenças na cultura.
“O principal alerta neste momento é para a ocorrência de mofo branco. O produtor deve realizar o monitoramento diário das lavouras para identificar precocemente qualquer sinal da doença e adotar as medidas de controle recomendadas”, orienta.
De acordo com o consultor, o manejo preventivo pode ser realizado com produtos à base de agentes biológicos. Já em áreas com histórico da doença ou onde os primeiros sintomas já foram identificados, a recomendação é intensificar o controle com produtos específicos, visando evitar perdas de produtividade.
Sobre o feijoeiro, ele complementa chamando atenção para a mosca branca, enfatizando a importância do uso de produtos químicos e biológicos, para manter a baixa pressão da praga.
A orientação é que os produtores mantenham acompanhamento constante das lavouras durante toda a estação, aproveitando as recomendações técnicas para garantir uma condução eficiente da cultura e preservar o potencial produtivo das áreas cultivadas.
Apoio técnico ao produtor
Diante dos desafios do inverno, a Cocari reforça a importância do acompanhamento técnico especializado para auxiliar os produtores nas tomadas de decisão. Tanto nas lavouras quanto na pecuária, os profissionais do Detec e do Devet permanecem à disposição dos cooperados para orientar sobre manejos nutricionais, sanitários e fitossanitários adequados a cada realidade produtiva, contribuindo para a manutenção da produtividade, da rentabilidade e da sustentabilidade das propriedades durante a estação.