Com o início da nova safra de soja se aproximando, a Cocari
reuniu, na última sexta-feira, mais de 80 profissionais que integram seu corpo
técnico no Paraná para um dia inteiro de capacitação sobre sementes e semeadura
da cultura da soja. Promovido pelo Departamento Técnico (DETEC), o treinamento
foi conduzido pelo engenheiro agrônomo e doutor em sementes Ricardo Bagatelli,
pesquisador e consultor com experiência em produção vegetal e tecnologia de
sementes no Brasil e no Paraguai.
A programação combinou conteúdo teórico atualizado com
atividades práticas e dinâmicas envolvendo sementes de soja, qualidade
fisiológica, semeadura e comportamento das sementes em diferentes condições. Esse
trabalho prático foi elaborado e conduzido pela equipe de profissionais que
integra o Laboratório de Análise de Sementes (LAS), da Cocari. O
objetivo foi ampliar o conhecimento dos profissionais que estão na linha de
frente da assistência técnica aos cooperados, fortalecendo sua capacidade de
interpretar situações de campo e orientar as melhores decisões para a
implantação da lavoura.
Para o gerente do DETEC da Cocari, Rafael Herrig
Furlanetto, a capacitação faz parte de um compromisso permanente da
cooperativa com a qualidade da assistência oferecida aos produtores.
“A Cocari sempre investe na capacitação do seu time,
porque o nosso propósito é levar uma orientação de qualidade ao nosso
cooperado.”
Segundo Rafael, o treinamento ocorre em um momento
estratégico do calendário agrícola, quando os produtores se preparam para
iniciar um novo ciclo de verão.
“Estamos encerrando o inverno, começando um novo ciclo de
verão, e hoje estamos falando principalmente da qualidade da Sementes Cocari. A
semente da Cocari é um elo na cadeia de produção, que deve estar atrelada a
todo um portfólio de práticas adequadas e conhecimento.”
Por isso, a proposta do treinamento foi justamente conectar
a qualidade dos insumos ao conhecimento necessário para utilizá-los
corretamente. “Estamos hoje com o propósito de treinar o time, passar para ele
todas as orientações, para que ele possa levar uma informação de qualidade para
o produtor”, explica o gerente.
Semeadura exige planejamento e precisão
Entre os principais temas abordados esteve a implantação da
lavoura. A semeadura é uma etapa que exige planejamento, pois decisões ou
falhas ocorridas nesse momento podem comprometer o desenvolvimento da cultura
posteriormente.
Rafael destaca que a preparação envolve diferentes fatores,
desde a escolha da semente até as condições de operação da máquina.
“O produtor precisa ter uma regulagem de máquina muito bem-feita.
A máquina é um instrumento importante para poder colocar essa semente no lugar
certo.”
Além da regulagem da plantadeira, o produtor precisa
observar as condições de umidade e temperatura do solo e seguir as
recomendações técnicas para o momento da operação.
“A semente, a Cocari fornece a qualidade. O profissional
leva o conhecimento. E o produtor faz isso com capricho, com orientação, para
garantir o início de safra da melhor forma.”
A mesma visão foi destacada por Ricardo Bagatelli.
Para ele, diante da complexidade do cenário agrícola, o produtor precisa evitar
que a ansiedade pelo início do plantio faça com que etapas importantes sejam
deixadas de lado.
“É muito importante a gente ter calma, escolher
corretamente a nossa variedade, o nosso parceiro de sementes, sementes de alto
vigor, muito bem tratadas, e que a gente possa ter feito o nosso dever de
casa.”
Esse “dever de casa”, segundo o especialista, inclui revisar
a plantadeira, preparar adequadamente o solo, verificar a palhada e realizar a
dessecação pré-plantio, entre outros cuidados.
Vigor das sementes e acompanhamento técnico
Um dos conceitos trabalhados durante o treinamento foi o
papel do vigor das sementes na implantação da lavoura. Para Bagatelli, o vigor
deve ser considerado um requisito fundamental na escolha do material.
“Nós não discutimos mais isso. Não se discute se vamos
ter vigor ou não. É obrigatório ter vigor, independente do cenário.”
O especialista explica que o vigor está diretamente
relacionado à capacidade de a semente estabelecer rapidamente uma planta,
reduzindo o período em que permanece exposta às condições do ambiente.
“Vigor é ganhar tempo. Fazer com que a gente tenha a
condição de dar à semente para que ela fique o menor tempo possível no solo. Ela vire
uma planta logo. Estabeleça uma lavoura de forma mais rápida possível.”
Durante as atividades práticas, os técnicos puderam observar
justamente diferenças de desempenho das sementes em diferentes condições,
relacionando conceitos de fisiologia e qualidade de sementes às situações que
podem ser encontradas nas propriedades.
Para Bagatelli, esse conhecimento precisa chegar ao produtor
por meio de uma assistência técnica próxima e presente.
“Nós estamos vivendo a era da IA, mas nada supera ir lá.
A recomendação que eu tenho dado sempre é essa: é ir lá, acompanhar o
processo.”
De acordo com o especialista, a assistência técnica tem
papel fundamental porque a semeadura é uma atividade que envolve diferentes
elementos e precisa ser acompanhada de perto.
“A semeadura é uma atividade compartilhada: entre o vigor
da semente, da semeadura, com o uso da semente, amparado pela assistência
técnica.”
Da agricultura de produto para a agricultura de processo
A importância da capacitação do DETEC também foi relacionada
por Bagatelli a uma transformação na própria forma de fazer agricultura.
“Nós estamos vivendo um momento que nós não estamos mais
na agricultura de produtos, nós estamos na agricultura de processo. E aqui no
meio está o serviço.”
Para ele, o diferencial da cooperativa está justamente na
capacidade de associar produtos e tecnologia a conhecimento e acompanhamento
técnico.
“O serviço que a cooperativa faz, exatamente, é o grande
diferencial. É respaldar tecnicamente, validado pela assistência técnica, pelo
departamento técnico da cooperativa, as recomendações que foram feitas.”
É essa conexão entre tecnologia, conhecimento e
acompanhamento que a Cocari busca fortalecer com a capacitação permanente de
seus profissionais.
Rafael reforça que o objetivo final de todo esse processo
está diretamente ligado ao resultado obtido pelo cooperado.
“O nosso principal objetivo, ao final de tudo isso, é que
qualidade e conhecimento gerem produtividade e rentabilidade ao nosso
associado.”
Manejo de plantas daninhas também está no foco
Além de sementes e semeadura, o treinamento integra um
processo mais amplo de atualização do corpo técnico da Cocari. Rafael lembra
que o manejo de plantas daninhas também vem sendo trabalhado pelo DETEC desde
junho, diante dos desafios enfrentados pelos produtores nos últimos anos.
“Plantas daninhas talvez tenham sido o principal problema
dos produtores nesses últimos anos. A gente já vem capacitando o DETEC desde
junho com relação à orientação correta ao manejo das plantas daninhas.”
A preparação da equipe, portanto, acompanha as diferentes
etapas do ciclo produtivo, com o propósito de oferecer ao cooperado uma
assistência cada vez mais qualificada e alinhada às condições encontradas no
campo.
Ao investir na atualização de seu corpo técnico, a Cocari
fortalece um dos principais elos de sua relação com o produtor: transformar
conhecimento em orientação prática para ajudar o cooperado a tomar decisões
mais seguras e buscar melhores resultados na lavoura.