A jornada de inovação iniciada pela Cocari em 2025 começa a
produzir resultados cada vez mais concretos. Depois de colocar em pauta a
construção de uma cultura de inovação e promover o debate sobre o futuro do
trabalho com Inteligência Artificial, a cooperativa avança para uma nova etapa:
a utilização da IA como ferramenta prática para melhorar processos, agilizar
atividades, reduzir custos e gerar resultados.
Um panorama apresentado à Diretoria reúne 11 projetos e
soluções desenvolvidos com apoio de Inteligência Artificial, envolvendo
diferentes áreas e necessidades da Cocari. O levantamento inicial, que
contemplava as primeiras soluções, já apontava uma economia potencial estimada
superior a R$ 1 milhão.
O resultado reforça uma premissa que vem orientando o
trabalho de inovação na cooperativa: a adoção da Inteligência Artificial não
acontece simplesmente porque a tecnologia está em evidência, mas porque existe
uma necessidade concreta a ser atendida.
“Fica bem claro que a estratégia na utilização da IA é
baseada no que traz resultado para a empresa, detalhar o processo, automatizar
a rotina e melhorar a performance”, explica o superintendente de Inovação e
Serviços Compartilhados da Cocari, Jorge Della Via Junior.
Da necessidade à solução
Entre as iniciativas já desenvolvidas estão aplicações
voltadas a processos trabalhistas, infraestrutura e ativos de Tecnologia da
Informação, operações de recebimento e embarque de grãos, custos de frete,
comunicação com unidades, relacionamento com cooperados, acompanhamento de
processos e controle de despesas.
O Agente de IA RH, por exemplo, apoia o resumo
automático de processos trabalhistas. A Plataforma Core TI centraliza a
gestão da infraestrutura de Tecnologia da Informação, ampliando o controle
sobre ativos, licenças, acessos e custos operacionais.
Na operação de grãos, a Plataforma Argus proporciona
controle digital de embarques e recebimento, contribuindo para mais agilidade e
rastreabilidade nos pátios das unidades. Já a Plataforma Atlas concentra
a gestão de ativos de TI do Cerrado, incluindo celulares corporativos e rateio
automatizado de custos.
No ambiente comercial, a Plataforma Vita Campo
realiza o monitoramento automático dos custos de frete nos canais de venda
online, contribuindo para a proteção da margem comercial.
A relação com as unidades também ganhou uma solução digital
com o Fale com a Unidade, que organiza campanhas de WhatsApp, centraliza
os contatos e permite acompanhar o desempenho das ações.
Na relação com os cooperados, a Plataforma Sou+ COCARI
facilita a pré-inscrição no programa e o registro de interesse. Já a Plataforma
Conecta permite o controle e acompanhamento de checklists das áreas de
negócio, com registros, auditoria e rastreabilidade.
A Plataforma ALM Control centraliza processos
relacionados ao lançamento, rateio, aprovação e acompanhamento de despesas,
considerando centros de custo e alçadas. A Plataforma de Inovação, por
sua vez, apoia a própria gestão da inovação na Cocari.
O uso da IA também passou a fazer parte do desenvolvimento
de novos sistemas, apoiando etapas como prototipação, codificação, análise
de demandas, integrações e documentação.
E a tecnologia já alcança também a área de Comunicação e
Marketing. A Inteligência Artificial vem sendo utilizada, por exemplo, na produção
de spots diários de rádio e na locução de vídeos institucionais,
contribuindo para agilizar os processos produtivos e reduzir custos na produção
dessas peças.
A diversidade das aplicações revela justamente uma das
características desse movimento: a IA pode gerar oportunidades de melhoria
em praticamente qualquer área quando existe clareza sobre o problema que se
pretende resolver.
Tecnologia para liberar tempo e valorizar pessoas
Para Jorge Della Via Junior, um dos principais ganhos
proporcionados pela Inteligência Artificial está na possibilidade de transferir
para sistemas atividades repetitivas e manuais, reduzindo a ocorrência de erros
operacionais e liberando as pessoas para tarefas que exigem competências
essencialmente humanas.
“Com a automação da rotina burocrática, o capital humano é
direcionado para funções que exigem criatividade, empatia, negociação e
direcionamento crítico”, destaca.
Essa perspectiva também ajuda a compreender o papel da IA
dentro da estratégia de inovação da Cocari. Não se trata simplesmente de
substituir uma tarefa humana por uma tecnologia, mas de utilizar os
recursos disponíveis para que as pessoas possam concentrar sua atuação onde
efetivamente agregam mais valor.
Outro potencial destacado pelo superintendente está na
capacidade de processamento e cruzamento de grandes volumes de informações. A
utilização adequada da IA pode apoiar uma tomada de decisão mais orientada por
dados, permitindo análises, identificação de tendências, avaliação de riscos e
simulação de cenários.
Nesse sentido, a tecnologia passa a atuar não apenas na
execução de tarefas, mas também como instrumento de apoio à gestão e à tomada
de decisões.
Uma mudança que começa pelas pessoas
Para o presidente da Cocari, Dr. Marcos Trintinalha, inovar
deixou de ser uma opção para se tornar uma necessidade permanente.
"A inovação é estratégica para a Cocari e para todas as
empresas hoje. Precisamos estar sempre modernizando nossos processos e buscando
formas de sermos melhores operacionalmente. Quando fazemos isso, conseguimos
atender ainda melhor o nosso cooperado, que é o dono do negócio, além de
oferecer mais qualidade e agilidade aos nossos clientes."
Segundo o presidente, iniciativas como essa aproximam os
gestores das transformações que estão acontecendo no mercado e estimulam novas
formas de pensar os processos internos.
"Queremos que nossos gestores estejam conectados com
aquilo que está acontecendo no mundo e identifiquem oportunidades para melhorar
seu trabalho. No final, tudo isso se traduz em mais eficiência e melhores
resultados para levar ao cooperado aquilo que realmente importa."
A evolução registrada desde os primeiros movimentos de
inovação também aparece na maneira como os colaboradores passaram a se
relacionar com a tecnologia.
Em dezembro de 2025, a Cocari realizou a 1ª Imersão
Cultura de Inovação, reunindo lideranças, gestores e colaboradores de
diferentes áreas para discutir conceitos, metodologias e ferramentas capazes de
transformar observações do cotidiano em soluções aplicáveis.
Na semana seguinte, o debate avançou com o encontro “O
Futuro do Trabalho e dos Negócios com IA”, que aprofundou as discussões
sobre tecnologia, pessoas, processos e novos modelos de atuação. As iniciativas
foram apresentadas naquele momento como parte de uma jornada de transformação e
de construção de uma cultura de inovação na cooperativa.
Agora, segundo Jorge Della Via, essa preparação começa a se
refletir no comportamento das áreas.
“A comunicação e os treinamentos desenvolvem a vontade dos
colaboradores de utilizarem. A empresa promover e instigar a utilização traz
resultados, pois estamos criando agentes que utilizam IA para trazer
resultados”, afirma.
A ideia de agentes ganha, portanto, um sentido
estratégico: são colaboradores capazes de identificar oportunidades e utilizar
os recursos de Inteligência Artificial disponíveis para melhorar seu próprio
trabalho e os processos da organização.
Próximo passo: uma força motriz de resultados
A Cocari já trabalha na estruturação das próximas etapas
dessa jornada. Entre as iniciativas previstas estão a atualização da
Política de Inteligência Artificial, um Workshop de IA, em setembro,
e uma mentoria de IA para a equipe de Tecnologia, prevista para setembro
e outubro de 2026.
Para Jorge, entretanto, o objetivo vai além de ampliar o
número de projetos desenvolvidos. O próximo passo é fazer com que a capacidade
de utilizar IA esteja cada vez mais disseminada entre os colaboradores.
“Queremos que todos os colaboradores sejam agentes de
utilização, para que os agentes da plataforma trabalhem em benefício do próprio
colaborador e da empresa”, explica.
A estratégia prevê novos workshops, treinamentos e
habilitação dos recursos disponíveis, criando, na visão do superintendente, “uma
força motriz de resultados com IA”.
Essa visão também estabelece um princípio importante para
quem pretende levar a Inteligência Artificial para sua própria área: primeiro
vem a necessidade; depois, a tecnologia.
“Não adote IA apenas porque todo mundo está usando.
Identifique primeiro qual dor real do seu negócio ela irá resolver”, orienta
Jorge.
A experiência da Cocari mostra que essa dor pode estar em
diferentes lugares: em uma tarefa repetitiva, em um processo burocrático, em um
controle que pode ser automatizado, na necessidade de organizar informações,
reduzir custos, agilizar uma entrega ou melhorar a qualidade de uma decisão.
A inovação, nesse contexto, não precisa começar com uma
grande transformação. Pode começar com uma pergunta simples: existe uma maneira
melhor de fazer isso?
É a partir desse olhar que a Cocari pretende ampliar o uso
da Inteligência Artificial — não como modismo, mas como uma ferramenta a
serviço das pessoas, dos processos, dos negócios e dos resultados da
cooperativa.
E, se os primeiros 11 projetos representam o que já foi
construído, o próximo capítulo dessa jornada dependerá cada vez mais de uma
participação ampla: colaboradores capazes de reconhecer oportunidades,
experimentar novas possibilidades e transformar a tecnologia em melhoria
concreta no dia a dia.