A colheita da soja é uma das etapas mais importantes da safra. É nesse momento em que o produtor consolida o resultado de todo o investimento feito ao longo do ciclo. Pequenos descuidos podem representar perdas significativas em produtividade e renda.
O consultor técnico da Cocari, Jhon Mayk Cintra, destaca os principais pontos que devem ser observados para garantir eficiência e rentabilidade na colheita.
Uniformidade da lavoura e dessecação
Antes mesmo da entrada da colheitadeira no campo, é fundamental avaliar como:
• Uniformidade do lote;
• Presença de plantas daninhas;
• Necessidade de dessecação.
Conforme destaca o consultor, lavouras desuniformes dificultam a regulagem correta da máquina e aumentam perdas por corte inadequado ou grãos fora do ponto ideal.
Atenção às condições climáticas
A previsão do tempo deve ser acompanhada de perto. A ocorrência de chuvas pode elevar a umidade dos grãos, aumentar o risco de perdas na classificação e comprometer a qualidade do produto. Além disso, é essencial observar a umidade do solo. Um solo excessivamente úmido favorece a compactação, prejudicando a próxima safra.
Ponto ideal de umidade do grão
Colher no momento correto é determinante para reduzir descontos na comercialização. A umidade ideal da soja geralmente gira em torno de 13% a 15%, o que permite:
• Menores perdas por quebra;
• Redução de impurezas;
• Melhor classificação do produto;
• Menor custo com secagem.
Colher com umidade elevada gera custo adicional. Por outro lado, colher muito seco aumenta perdas por debulha natural e quebra de grãos.
Regulagem da colheitadeira
Segundo o especialista, uma boa regulagem da máquina é essencial para evitar perdas invisíveis que impactam diretamente o bolso do produtor. Entre os principais ajustes estão:
Altura de corte – Regular corretamente a altura da plataforma evita que sejam deixadas vagens na lavoura. Cortes muito altos deixam grãos no campo, reduzindo o rendimento.
Ajuste do molinete – A altura e a rotação devem estar adequadas ao porte da lavoura. Soja mais adensada exige regulagens específicas para evitar debulha antecipada.
Velocidade de colheita – Velocidade excessiva aumenta perdas na plataforma e na trilha. O ideal é compatibilizar avanço da máquina com capacidade de processamento.
Sistema de trilha e limpeza – Aferições frequentes ajudam a evitar que grãos sejam descartados junto com a palha.
Logística e planejamento – Outro ponto decisivo é o planejamento logístico, que envolve: organização do transporte; disponibilidade de armazém; e agilidade no recebimento. Colheita parada por falta de caminhão ou estrutura também gera prejuízo indireto.
Impacto no resultado econômico
Cada saca perdida representa dinheiro que deixa de entrar na propriedade. A soma de pequenas falhas – corte alto, velocidade inadequada, umidade fora do padrão – pode resultar em perdas de várias sacas por hectare. “Por isso, a colheita é considerada o momento de ‘encher o bolso’. É quando todo o manejo feito ao longo da safra precisa ser convertido em produtividade efetiva”, resume Jhon Mayk.
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