Transferir conhecimento, apresentar tecnologias já avaliadas em condições regionais e auxiliar o produtor a tomar decisões mais assertivas dentro da propriedade. Com esses objetivos, a Cocari realizou, no Centro Tecnológico Cocari (CTC), em Mandaguari, o Dia de Campo de Inverno, reunindo produtores de diferentes regiões para uma programação voltada às culturas de inverno e ao planejamento da próxima safra de verão.
Estruturado em estações técnicas e parcelas demonstrativas, o evento permitiu aos participantes conhecer materiais genéticos de alto potencial produtivo, observar o desempenho de cultivares de trigo e híbridos de milho e discutir estratégias de manejo diante de alguns dos principais desafios encontrados atualmente nas lavouras.
Um dos temas que recebeu atenção especial foi o controle de plantas daninhas, sobretudo espécies resistentes ou de difícil manejo, como buva, capim-amargoso, capim-pé-de-galinha e caruru. A preocupação ganha ainda mais importância neste período, quando as decisões tomadas na entressafra podem interferir diretamente na implantação e no potencial produtivo da próxima safra de soja.
Tecnologia para gerar valor ao cooperado
De acordo com o gerente do Departamento Técnico (Detec) da Cocari, Rafael Furlaneto, a realização do Dia de Campo está diretamente relacionada ao propósito da cooperativa de levar conhecimento e resultados aos cooperados.
“Um dos propósitos da cooperativa é levar valor ao cooperado, fazer com que ele tenha maior rentabilidade, maior receita, e isso passa pela transferência de tecnologia”, destacou.
Segundo Furlaneto, além de apresentar as cultivares de trigo produzidas pela Cocari e os híbridos de milho disponíveis no portfólio da cooperativa, o evento buscou orientar os produtores sobre estratégias de controle das plantas daninhas.
“As plantas daninhas têm sido um dos principais desafios do produtor atualmente. Temos algumas espécies de difícil controle, como caruru, buva e capim-pé-de-galinha, e isso exige uma estratégia de manejo muito bem desenhada”, explicou.
O objetivo, acrescentou, é permitir que o produtor chegue à implantação da próxima cultura com a área adequadamente preparada. “Queremos orientar o cooperado sobre o melhor manejo a seguir para que possamos ter uma semeadura da soja no limpo, buscando, ao final, maiores resultados.”
Caruru exige atenção redobrada
Convidado para participar das discussões técnicas, o professor Dr. Denis Biffe, pesquisador da área agronômica da Universidade Estadual de Maringá (UEM), chamou a atenção principalmente para o avanço do caruru, planta daninha resistente ao glifosato que vem ganhando importância nas lavouras da região.
“Esse tem se tornado e vai ser, com certeza, um dos próximos problemas que os produtores vão enfrentar”, alertou.
Uma das dificuldades está na elevada capacidade de multiplicação da espécie. Segundo o pesquisador, uma única planta de caruru pode produzir até um milhão de sementes. Além disso, essas sementes podem permanecer viáveis no solo durante seis ou sete anos, ampliando significativamente o problema quando a planta consegue completar seu ciclo dentro da lavoura.
“Uma vez que você deixa a semente dentro da sua lavoura, vai gastar muita energia e muito tempo para controlar”, observou Biffe, classificando o caruru como “a bola da vez” entre os desafios relacionados às plantas daninhas.
O pesquisador ressaltou, porém, que o planejamento precisa considerar o conjunto de espécies presentes em cada propriedade. Áreas com buva já desenvolvida, capim-amargoso e novas infestações de caruru, por exemplo, exigem estratégias específicas e realizadas no momento adequado.
Entre as ferramentas importantes está o uso de herbicidas pré-emergentes, especialmente dentro de programas voltados ao manejo de espécies como caruru e capim-pé-de-galinha. A recomendação é conhecer os principais problemas existentes em cada talhão e, a partir desse diagnóstico, estabelecer uma estratégia integrada de controle.
Informação que chega à propriedade
Para o cooperado Arlindo Taconi, de Marialva, acompanhar de perto as orientações técnicas ganha importância diante das dificuldades enfrentadas no campo, seja pelas condições climáticas, seja pelo aumento da complexidade no manejo das plantas daninhas.
“Está muito difícil produzir. O clima e as ervas daninhas trazem desafios e, acompanhando os técnicos aqui, é melhor”, afirmou.
Taconi destacou ainda que a constante evolução das tecnologias exige atualização por parte do agricultor. “O produtor já conhece muita coisa e faz praticamente tudo na propriedade, mas vão aparecendo coisas novas, tratamentos novos, e a gente tem que aprender.”
Soluções para diferentes momentos da produção
Além das estações técnicas, o Dia de Campo contou com a participação de empresas parceiras da Cocari, apresentando equipamentos, produtos e diferentes tecnologias disponíveis ao produtor.
O superintendente de Insumos da Cocari, Roberson Lima, explicou que a programação foi organizada para oferecer uma visão ampla das soluções disponíveis para diferentes culturas e etapas do planejamento agrícola.
“A gente pôde contar com diversos fornecedores parceiros para equipamentos e todo tipo de solução que temos para o produtor. Também estamos preparando e lançando nossa campanha para o verão e já pensando em algumas soluções para a safrinha do ano que vem”, afirmou.
O evento recebeu produtores da região de atuação da cooperativa e um grupo vindo dos Campos Gerais do Paraná.
“Para nós é uma satisfação poder oferecer ao produtor tudo o que há de melhor e mais moderno hoje em termos de solução para a agricultura. Nosso papel é trazer soluções para fazer o produtor passar melhor pelas adversidades e, no fim das contas, colher bem. Esse é o nosso propósito”, ressaltou Roberson.
CTC permite comparação em condições iguais
O presidente da Cocari, Dr. Marcos Trintinalha, destacou que os dias de campo fazem parte do calendário técnico da cooperativa e cumprem uma função importante ao permitir que os produtores observem, em um mesmo ambiente, o comportamento de diferentes materiais.
“É um dia importante. O produtor pode vir aqui verificar o que nós fizemos, quais híbridos se saíram melhor, o desempenho do trigo, os manejos e os controles. É uma oportunidade de receber nossos associados e discutir tecnicamente o que pode ser feito para melhorar cada vez mais a produtividade”, afirmou.
A Cocari tradicionalmente realiza dias de campo voltados às culturas de verão e de inverno. Segundo o presidente, a realização no período de inverno está mais sujeita às condições climáticas, mas, neste ano, foi possível conduzir adequadamente as áreas demonstrativas.
Um dos principais diferenciais do CTC, ressaltou Trintinalha, é justamente possibilitar comparações entre cultivares e híbridos submetidos às mesmas condições de solo, clima e manejo.
“Aqui o produtor pode olhar todos os híbridos no mesmo local, todos os trigos no mesmo local e realmente analisar as diferenças de potencial produtivo. No mesmo lugar, todos passaram pelas mesmas condições. Isso permite uma análise mais profunda daquele material que melhor expressou seu potencial”, explicou.
Conhecimento para decisões mais assertivas
Ao reunir pesquisa, assistência técnica, empresas parceiras e a experiência dos próprios produtores, o Dia de Campo de Inverno reforça o papel do Centro Tecnológico Cocari como espaço de geração, validação e difusão de conhecimento.
Mais do que apresentar produtos e tecnologias, a proposta é oferecer informações que auxiliem o cooperado a planejar cada etapa da produção, antecipar problemas e escolher estratégias compatíveis com a realidade de sua propriedade.
Por meio do Detec e da estrutura do CTC, a Cocari mantém o acompanhamento das tecnologias e dos desafios que surgem no campo, buscando transformar conhecimento técnico em melhores decisões, produtividade e resultados para seus cooperados.