A colheita do milho segunda safra 2025/26 avança em todo o Brasil e confirma uma safra marcada por cenários bastante distintos entre as regiões produtoras. Enquanto estados como Mato Grosso registram produtividades acima das expectativas iniciais, outras áreas enfrentaram perdas provocadas por estiagens, geadas e irregularidade das chuvas ao longo do ciclo.
Segundo o 10º Levantamento da Safra Brasileira de Grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita alcançava 28,5% da área cultivada na primeira semana de julho (o próximo boletim será publicado no final do mês). A estimativa nacional para a segunda safra foi elevada para 109,4 milhões de toneladas, cultivadas em 17,8 milhões de hectares, volume 1,5% superior à previsão anterior e apenas 3,4% abaixo da safra passada.
As chuvas registradas em junho beneficiaram parte das lavouras, mas chegaram tarde para recuperar áreas afetadas pelos veranicos de abril e maio, principalmente em Goiás, Minas Gerais e Piauí. Em contrapartida, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Pará foram favorecidos pelas condições climáticas durante praticamente todo o ciclo da cultura, refletindo em produtividades elevadas.
Outro indicador do avanço da colheita é o levantamento que aponta que o Centro-Sul brasileiro já colheu cerca de 49% da segunda safra de milho, mantendo Mato Grosso na liderança dos trabalhos, seguido por Paraná e Goiás.
Paraná acelera a colheita
No Paraná, segundo maior produtor nacional de milho safrinha, o tempo seco e ensolarado favoreceu significativamente os trabalhos de colheita nas últimas semanas. Em apenas sete dias, o percentual de área colhida passou de 16% para 29%, impulsionado pela rápida perda de umidade dos grãos no campo.
Os números do Departamento de Economia Rural (Deral) mostram que 81% das lavouras estão em boas condições, enquanto 13% apresentam condição média e apenas 6% são consideradas ruins. Cerca de 84% das áreas encontram-se em fase de maturação, especialmente nas regiões Norte, Noroeste e Oeste, onde a colheita ocorre em ritmo acelerado.
Para esta safra, a expectativa é de uma produção de 17,6 milhões de toneladas em uma área cultivada de 2,91 milhões de hectares, crescimento de aproximadamente 3% na área em relação ao ciclo anterior. Apesar disso, a produtividade média estimada é ligeiramente inferior à da safra passada, reflexo dos impactos provocados pela estiagem em parte do ciclo e pelas geadas registradas em algumas regiões do estado.
Panorama nos estados de atuação da Cocari
Além do Paraná, a Cocari acompanha de perto o desenvolvimento da cultura nas demais regiões onde atua.
Em Goiás, a colheita está apenas começando. As chuvas registradas em junho não conseguiram recuperar o potencial produtivo das lavouras mais afetadas pelo déficit hídrico. Nas áreas semeadas dentro da janela ideal, a expectativa ainda é de boas produtividades, superiores a 6 mil quilos por hectare, enquanto cultivos mais tardios apresentam grande variação de rendimento e, em alguns casos, perdas significativas. As chuvas próximas à colheita também favoreceram o aparecimento de doenças fúngicas em algumas áreas.
Em Minas Gerais, o cenário também varia conforme a região. No Noroeste e Triângulo Mineiro, a estiagem comprometeu principalmente as lavouras de sequeiro, reduzindo o potencial produtivo. Já as áreas irrigadas apresentam bom desenvolvimento, com expectativa superior a 9 mil quilos por hectare nas primeiras colheitas. Nas regiões do Alto Paranaíba e Sul de Minas, onde o regime de chuvas foi mais favorável, as produtividades tendem a ser superiores às observadas nas áreas mais afetadas pela seca.
Na Bahia, a redução da disponibilidade hídrica limitou o potencial produtivo das lavouras, especialmente nas áreas implantadas fora da janela ideal. Com o avanço do período seco, aumenta o risco de estresse hídrico nas lavouras que ainda estão em fase de formação de grãos, o que pode comprometer o enchimento das espigas e reduzir a produtividade. Já os cultivos estabelecidos dentro da época recomendada apresentam perspectivas mais favoráveis para a colheita.
No Tocantins, a colheita alcançou cerca de 40% da área cultivada na primeira semana de julho. Os maiores avanços foram registrados em municípios como Marianópolis, Caseara e Nova Rosalândia, onde as produtividades superam 8 mil quilos por hectare, reflexo das lavouras semeadas dentro da janela ideal. Em outras regiões, como Campos Lindos e Darcinópolis, os trabalhos ainda avançam lentamente, mas os primeiros resultados reforçam o melhor desempenho das áreas implantadas no período recomendado.
Ao longo das próximas semanas, a tendência é de intensificação da colheita em todas as regiões produtoras, consolidando os resultados de uma safra marcada por grandes contrastes climáticos e pela capacidade dos produtores de manejar diferentes cenários ao longo do ciclo da cultura.