Estamos nos aproximando do encerramento da colheita da soja, um processo que já se encontra praticamente concluído em todo o Brasil. No Paraná, ainda temos algumas microrregiões com lavouras mais tardias, especialmente em áreas que passaram por replantio, o que acabou estendendo o ciclo. Ainda assim, o cenário geral é de finalização, com resultados bastante variados entre regiões, reflexo direto das condições climáticas ao longo do ciclo.
Tivemos áreas com produtividades muito elevadas e outras com desempenho mais limitado, mas, de forma geral, dentro de um padrão médio esperado tanto no Paraná quanto no Cerrado. Para a Cocari, isso se traduz em um recebimento expressivo e em uma produtividade relevante, acompanhando o cenário nacional.
Os números reforçam essa percepção. A safra brasileira de soja 2025/2026 caminha para um novo recorde histórico, com produção estimada entre 172,5 e 184,7 milhões de toneladas, de acordo com o Ministério da Agricultura. A produtividade média nacional deve superar 3.590 kg por hectare, ou seja, entre 60 e 62,7 sacas por hectare, resultado direto do avanço tecnológico e do manejo cada vez mais eficiente adotado no campo.
Na sequência, voltamos nossa atenção para o milho segunda safra, que já está implantado em praticamente toda a nossa área de atuação do Paraná, em suas diferentes regiões, até o Cerrado, especialmente em Goiás. As lavouras se encontram, em sua maioria, bem desenvolvidas, muitas já em fase de florescimento e enchimento de grãos, indicando um bom potencial produtivo.
No Paraná, a produção estimada para a segunda safra de milho 2025/26 é de 17,54 milhões de toneladas, segundo dados do Deral/Seab. Mesmo com uma leve redução de 1% no volume total em relação ao ciclo anterior, a área plantada cresceu 2%, alcançando 2,865 milhões de hectares. A produtividade média esperada é de 6.122 kg por hectare, o que sustenta uma perspectiva positiva para essa cultura.
Seguimos atentos, naturalmente, às condições climáticas. As lavouras em fase reprodutiva dependem diretamente da regularidade das chuvas para garantir bom enchimento de grãos e qualidade final. Também acompanhamos o risco de eventos como geadas precoces, embora, até o momento, não haja indicadores fora da normalidade. Mesmo com períodos recentes de irregularidade nas chuvas, que causaram estresse hídrico pontual, o desenvolvimento geral das lavouras é satisfatório.
Um ponto que tem chamado atenção nos últimos anos é a variabilidade climática em pequenas áreas. Chuvas irregulares, concentradas em microrregiões, o que muitos conhecem como “chuva de manga”, têm provocado diferenças significativas de produtividade até mesmo entre propriedades vizinhas. Ainda assim, com base no acompanhamento do nosso corpo técnico, a expectativa segue sendo de uma boa safra de inverno tanto no Paraná quanto no Cerrado (Goiás e Minas Gerais).
Avançamos também com a implantação de outras culturas.
No Paraná, o plantio da cultura de trigo já começou e deve ganhar ritmo ao longo deste período. No entanto, sabemos que a cultura do trigo, em especial, vem enfrentando um cenário desafiador. Questões relacionadas ao clima nas últimas safras e, principalmente, à remuneração, têm gerado insegurança no produtor.
Os dados confirmam esse movimento. A área plantada com trigo no Brasil deve recuar cerca de 6%, totalizando aproximadamente 775 mil hectares, o menor nível desde o ano 2000, conforme dados do Ministério da Agricultura. Como consequência, a dependência externa tende a aumentar. As projeções indicam que o país poderá importar próximo de 8 milhões de toneladas no ciclo 2026/27, reforçando a necessidade de atenção estratégica sobre essa cultura.
Esse cenário é influenciado diretamente pelos custos de produção. O aumento no preço dos insumos, especialmente aqueles atrelados ao petróleo, e especialmente o diesel, que nesse momento impacta tanto a implantação quanto o transporte. Soma-se a isso a incerteza global em relação aos fertilizantes. O Brasil depende de importações para cerca de 80% a 85% do seu consumo, e, só em 2025, atingimos um recorde de 45,5 milhões de toneladas importadas. Questões geopolíticas e logísticas têm elevado custos e aumentado a imprevisibilidade.
Diante desse contexto, é natural que o produtor esteja mais cauteloso na tomada de decisão. Plantar trigo, investir em outra cultura de inverno, optar por forrageiras ou até mesmo deixar a área em pousio são decisões que exigem análise criteriosa.
É justamente nesse ponto que reforço a importância da proximidade com a cooperativa. Procure a Cocari, converse com o seu consultor. Esse profissional acompanhou sua lavoura de verão, conhece seus resultados produtivos e a rentabilidade obtida, e está preparado para, junto com você, avaliar o melhor caminho a seguir.
Temos, inclusive, o projeto Sou Mais Cocari, que vem sendo estruturado para ampliar ainda mais esse suporte. A proposta é simples e objetiva: construir, de forma conjunta, a melhor decisão para cada propriedade, considerando suas particularidades, seu histórico e o cenário atual.
O momento exige planejamento e decisão consciente. Cada área, cada realidade, pede uma estratégia específica. E a Cocari está ao seu lado exatamente para isso: oferecer informação, suporte técnico e segurança na tomada de decisão.
Seguimos confiantes. O milho segunda safra se desenvolve bem, as áreas já implantadas de trigo avançam, e temos expectativa de boas condições climáticas nas próximas semanas para consolidar esse cenário.
Desejo a todos uma excelente safra. Que tenhamos as chuvas necessárias no momento certo e que possamos continuar colhendo bons resultados. Conte com a Cocari. Estamos juntos, trabalhando para fortalecer o seu negócio e o desenvolvimento de toda a nossa cooperativa.
Até aqui nos ajudou o Senhor e que com certeza continua nos ajudando!
Dr. Marcos Trintinalha
Presidente da Cocari