A preparação da próxima safra começa antes da semeadura. No
período entre a colheita e a implantação da cultura de verão, o produtor tem
uma oportunidade importante para monitorar a área e realizar o manejo das
plantas daninhas antes que elas se estabeleçam.
Esse cuidado é especialmente importante diante de espécies
de difícil controle, como buva, caruru, capim-amargoso e capim-pé-de-galinha.
O controle ainda nos estágios iniciais de desenvolvimento é uma das estratégias
que contribuem para aumentar a eficiência do manejo e reduzir a pressão dessas
plantas sobre a cultura que será implantada.
Quando não são controladas, as plantas daninhas competem com
a nova lavoura por água, luz e nutrientes, podendo também dificultar
operações ao longo do ciclo e favorecer a presença de pragas e doenças. Além
disso, algumas espécies apresentam elevada capacidade de produção de sementes,
aumentando o banco de sementes do solo e tornando o problema mais persistente
nas safras seguintes.
O momento de agir é agora
A dessecação deve fazer parte de um planejamento que começa
pelo monitoramento. Identificar as espécies presentes, o nível de infestação e
o estágio de desenvolvimento das plantas permite definir a estratégia mais
adequada para cada área.
O princípio é simples: quanto antes o problema for
identificado, maior é a possibilidade de manejá-lo antes que se torne mais
difícil de controlar.
Por isso, não é recomendável esperar a planta daninha
crescer ou a cultura já estar implantada para tomar decisões. O planejamento
pré-plantio permite trabalhar com diferentes ferramentas, como dessecação,
aplicações sequenciais e herbicidas pré-emergentes, de acordo com as
características de cada área.
Manejo de plantas resistentes exige estratégia
A presença de plantas resistentes ou tolerantes aos
herbicidas reforça a necessidade de um manejo planejado. O caruru, por exemplo,
vem ganhando importância como desafio para os produtores da região. Segundo
informações apresentadas pelo professor Dr. Denis Biffe, pesquisador da área
agronômica da Universidade Estadual de Maringá, uma planta de caruru pode
produzir até um milhão de sementes, que podem permanecer viáveis no solo por
seis ou sete anos.
Por isso, evitar que essas plantas completem seu ciclo e
produzam sementes é uma medida importante dentro do manejo da área. O
pesquisador também destaca a necessidade de atenção à buva e ao capim-amargoso
e aponta os herbicidas pré-emergentes como uma das ferramentas a serem
consideradas para espécies como caruru e capim-pé-de-galinha.
Começar limpo é parte do planejamento
Uma dessecação eficiente não depende apenas da escolha do
herbicida. As condições climáticas no momento da aplicação, a regulagem do
pulverizador, a escolha das pontas e bicos, a vazão e a pressão também
interferem na qualidade da operação.
Por isso, a recomendação da Cocari é que o produtor monitore
suas áreas e procure a equipe técnica para definir a estratégia mais adequada,
considerando as espécies presentes, o estágio das plantas e as condições de
cada propriedade.
Resolver agora o problema das plantas daninhas é uma
forma de evitar que ele acompanhe a próxima safra. O planejamento começa antes
do plantio e uma lavoura mais limpa começa com uma dessecação bem planejada.