Celebrado em 24 de maio, o Dia Nacional do Milho reforça a importância de uma das culturas mais estratégicas do agronegócio brasileiro. Presente na alimentação humana e animal, na produção de etanol, na indústria farmacêutica e em diversos produtos do cotidiano, o milho movimenta a economia e contribui diretamente para a segurança alimentar mundial.
O Brasil segue entre os maiores produtores e exportadores globais do grão. Para 2026, a estimativa nacional é de uma safra de aproximadamente 138,2 milhões de toneladas, segundo dados do IBGE divulgados em abril. Apesar da leve retração de 2,5% em relação ao recorde registrado em 2025, o volume ainda é considerado expressivo dentro de um cenário de safra total de grãos robusta no país.
A primeira safra de milho apresenta perspectiva de crescimento de 15,2%, enquanto a segunda safra, a safrinha — responsável pela maior parte da produção nacional — deve registrar recuo de 6,4%, principalmente em função das condições climáticas. Ainda assim, o Brasil mantém destaque no mercado internacional, com projeções positivas também para o ciclo 2026/27.
Área da Cocari – Desenvolvimento satisfatório
Nas áreas de atuação da Cocari, a cultura vem apresentando desenvolvimento satisfatório, embora as condições climáticas variem entre as regiões. No Paraná, o consultor do supervisor do Departamento Técnico (Detec), Rodrigo Rombaldi, explica que havia preocupação inicial com um possível déficit hídrico, mas as chuvas registradas nas últimas semanas ajudaram a manter as expectativas produtivas.
Segundo ele, o milho apresenta excelente desenvolvimento, com boas perspectivas de produtividade tanto no Paraná Baixo quanto no Paraná Alto. “Tivemos pequenos surtos de lagarta-do-cartucho em algumas regiões pontuais, exigindo maior controle, porém sem comprometer o estande das lavouras até o momento”, destaca.
No Cerrado Mineiro e Goiano, o cenário é mais desafiador. O supervisor do Detec, Golbery Fraga Faria, explica que a região teve duas janelas distintas de plantio. As áreas implantadas dentro do zoneamento agrícola receberam melhores volumes de chuva e devem alcançar médias entre 100 e 120 sacas por hectare.
Já o milho plantado fora do período ideal, em razão do atraso provocado pelo excesso de chuvas na colheita da soja, enfrenta agora estiagem e déficit hídrico, reduzindo o potencial produtivo. Nessas áreas, a expectativa varia entre 50 e 80 sacas por hectare. “Também tivemos fortes surtos de lagarta-do-cartucho nas regiões mais quentes, aumentando o custo de produção”, ressalta.
No Cerrado Goiano, o consultor do Detec Gabriel Vieira Celestino, de Cristalina, relata que as lavouras seguem em fase de pendoamento, com bom porte e expectativa positiva de produtividade.
Entretanto, parte das áreas de milho sequeiro já enfrenta mais de 30 dias sem chuvas significativas. “Mesmo com os sintomas de estresse hídrico, as lavouras ainda mantêm bom desenvolvimento de plantas e colmos. Agora, aguardamos o retorno das precipitações para preservar o potencial produtivo”, explica.
Além da produção no campo, o milho também representa grande importância para a estrutura operacional da Cocari, movimentando recebimento, armazenagem e logística nas unidades da cooperativa.
A cultura segue como peça fundamental para a cadeia produtiva, abastecendo setores como avicultura, suinocultura, bovinocultura e a indústria de biocombustíveis.
Em um cenário de desafios climáticos e custos crescentes, o milho reafirma seu protagonismo no agro brasileiro e evidencia a importância do acompanhamento técnico e do planejamento para garantir produtividade e sustentabilidade no campo.