Com a proximidade das eleições de 2026, compreender o
funcionamento das instituições, avaliar propostas e participar de forma
consciente do processo democrático ganha ainda mais importância. No
cooperativismo paranaense, esse trabalho faz parte de uma estratégia permanente
desenvolvida pelo Sistema Ocepar por meio de seu Programa de Educação Política.
Reportagem especial publicada na edição de agosto da Revista
Paraná Cooperativo mostra que a iniciativa vem sendo ampliada e
incorporando novas ferramentas de formação e informação. O objetivo é
fortalecer a representação institucional do cooperativismo e estimular uma
participação política qualificada, mantendo uma atuação técnica, ética, legal e
suprapartidária.
Embora ganhe maior visibilidade em períodos eleitorais, a
educação política é tratada pelo Sistema Ocepar como uma atividade permanente.
A própria origem da representação política organizada do
cooperativismo brasileiro remonta à Assembleia Nacional Constituinte. Em 1986,
foi criada uma frente parlamentar para defender a presença do cooperativismo na
nova Constituição Federal.
No Paraná, o Programa de Educação Política tornou-se oficial
em 2018, como projeto do PRC100, planejamento estratégico lançado em 2015 para
estimular e apoiar o desenvolvimento do cooperativismo no Estado.
Naquele ano, o Sistema Ocepar realizou encontros com
candidatos a deputado federal que voluntariamente procuraram a organização para
manifestar interesse nas pautas cooperativistas. Também foi estruturado um
canal de comunicação que alcançou cerca de 1 milhão de pessoas, entre cooperados
e familiares.
Nas eleições de 2022, a mobilização foi ampliada e esse
canal chegou a aproximadamente 2 milhões de participantes.
Formação de multiplicadores
Um dos pilares da estratégia é fazer com que o conhecimento
adquirido chegue aos diferentes públicos ligados às cooperativas.
Para isso, foi estruturado um Núcleo de Educação Política,
coordenado pelo Sistema Ocepar e formado por pontos focais das cooperativas.
Esses representantes têm a missão de disseminar informações e conhecimentos em
suas organizações.
O modelo de comunicação apresentado pela Ocepar prevê uma
rede que parte dos sistemas OCB e Ocepar, passa pelas cooperativas e suas
unidades e alcança associados e comunidades. Dessa maneira, coordenadores e
gestores atuam como elos para levar os conteúdos a lideranças, colaboradores,
jovens, mulheres e famílias.
A proposta não é indicar candidatos ou defender posições
político-partidárias. O programa busca oferecer conhecimento para que
cooperados e lideranças compreendam o funcionamento do sistema político,
reconheçam o impacto das decisões públicas sobre suas atividades e participem
do processo democrático de maneira consciente.
Agenda do cooperativismo
Em 2026, uma das novas ferramentas dessa estratégia é a
publicação “Propostas para um Paraná Mais Cooperativo”, que reúne pautas
consideradas prioritárias pelo cooperativismo paranaense.
O documento aborda temas como infraestrutura rodoviária e
ferroviária, armazenagem, segurança jurídica, defesa do ato cooperativo,
crédito e financiamento, seguro rural, inovação, transformação digital,
empregabilidade e modernização das relações de trabalho.
As propostas foram construídas com participação das
cooperativas e têm como finalidade qualificar o debate sobre questões
estratégicas e fortalecer o diálogo do setor com candidatos, parlamentares e
gestores públicos.
“É importante nos unirmos, aprofundar pautas e reforçar a
representação institucional. Temos que ter posicionamento técnico consistente”,
afirmou à Revista Paraná Cooperativo o presidente do Conselho
Deliberativo da Ocepar, Luiz Roberto Baggio.
A iniciativa estadual segue a lógica do documento “Propostas
para um Brasil Mais Cooperativo”, elaborado pelo Sistema OCB com pautas
nacionais relacionadas à competitividade, produtividade, inclusão econômica e
sustentabilidade.
Trilha de Educação Política
Outra novidade apresentada em 2026 é a Trilha de Educação
Política Aplicada, formação on-line destinada a lideranças cooperativistas,
gestores e profissionais interessados em aprofundar conhecimentos sobre o
ambiente político-institucional.
A programação foi estruturada em seis módulos, realizados
entre 26 de junho e 7 de agosto. Entre os conteúdos estão sistema político,
eleições, comunicação política, democracia, compliance eleitoral, tecnologia e
democracia e representação institucional do cooperativismo.
O programa também passou a recorrer a ferramentas mais
interativas para facilitar a compreensão do processo eleitoral. Entre elas está
o “Jogo da Eleição – Quem Quer Ser Presidente?”, desenvolvido pelo
Instituto Mais Cidadania com participação do Sistema Ocepar. O jogo de
tabuleiro simula o cenário político e permite trabalhar, de maneira prática,
conceitos relacionados às eleições e à representação institucional.
Informação em novos formatos
A estratégia de ampliar o alcance da educação política
também chegou aos meios digitais.
No final de junho, o Sistema Ocepar lançou o OceparCast
Inteligência Política, podcast com episódios semanais de até dez minutos
sobre assuntos relacionados à política nacional e regional e seus reflexos para
o cooperativismo.
O projeto nasceu de um grupo multidisciplinar ligado aos
projetos de Educação Política e Núcleo de Inteligência Política do PRC300,
atual ciclo do planejamento estratégico do cooperativismo paranaense.
Entre os assuntos abordados estão a história da
representação política do cooperativismo, o funcionamento da Frencoop, as
atribuições da Câmara dos Deputados, Senado e Poder Executivo e questões
ligadas ao próprio processo eleitoral, como voto em branco e voto nulo.
Segundo o analista de Relações Institucionais do Sistema
Ocepar Diogo Tavares Ferreira, a proposta é facilitar a compreensão sobre
política, democracia e funcionamento das instituições, sempre sob uma
perspectiva técnica e suprapartidária.
Participação consciente
A ampliação das iniciativas reforça uma premissa do Programa
de Educação Política: a representação institucional do cooperativismo depende
tanto da capacidade de diálogo com os poderes públicos quanto da formação de
cooperados e lideranças capazes de compreender o processo político.
Assim, mais do que uma mobilização voltada às eleições de
2026, o programa procura consolidar uma cultura permanente de participação
cidadã, conhecimento das instituições e acompanhamento das políticas públicas.
Como resume o presidente-executivo do Sistema Ocepar, José
Roberto Ricken, na reportagem da Revista Paraná Cooperativo, a
experiência histórica de representação do setor mostra por que esse trabalho
não deve ficar restrito aos períodos eleitorais: “Nosso Programa de Educação
Política é permanente.”
Fonte: Revista Paraná Cooperativo – Sistema Ocepar,
edição nº 246, agosto de 2026.