Com o avanço da colheita do milho segunda safra, produtores já começam a direcionar o olhar para uma etapa estratégica do planejamento agrícola: o manejo de dessecação das áreas que receberão a soja e outras culturas de verão. Mais do que eliminar as plantas invasoras presentes no momento, essa operação é fundamental para reduzir novos fluxos de emergência, preservar a eficiência dos herbicidas e iniciar a próxima safra com maior segurança.
Segundo o supervisor técnico do DETEC Cocari para a regional do Paraná Alto, Fábio Barbosa Ribeiro, a janela entre a colheita do milho e a semeadura da soja exige atenção especial. Na região, o plantio da soja deve começar dependendo das condições climáticas, entre a segunda quinzena de setembro e o início de outubro, deixando um período de aproximadamente 30 a 60 dias para o manejo das áreas.
"O inverno deste ano reúne condições bastante favoráveis para a emergência de plantas daninhas. Tivemos temperaturas baixas, boa disponibilidade de chuva e, ao mesmo tempo, períodos de clima mais ameno, ambiente favorece principalmente as espécies plantas daninhas como a buva", explica.
Além das condições climáticas, a retirada da cultura do milho aumenta a incidência de luz sobre o solo, fator que estimula ainda mais a germinação das plantas invasoras.
Controlar cedo é mais eficiente
Diante desse cenário, a principal orientação é realizar o controle das plantas daninhas ainda nos estádios iniciais de desenvolvimento, quando a eficiência dos herbicidas é maior.
De acordo com Fábio Ribeiro, o manejo pós-emergente deve ser realizado assim que ocorrer a emergência das invasoras, utilizando os produtos recomendados pela equipe técnica da Cocari. Paralelamente, o uso de herbicidas pré-emergentes desempenha papel importante para impedir novos fluxos de germinação até a implantação da cultura.
"Os produtos pós-emergentes eliminam as plantas que já emergiram. Já os pré-emergentes permanecem protegendo o solo, evitando que novas plantas daninhas se estabeleçam antes da semeadura da soja", destaca.
Durante o acompanhamento das lavouras, a equipe técnica já observa a presença de espécies como buva, caruru, trapoeraba e picão-preto, indicando que o manejo deve começar logo após a colheita do milho para evitar o avanço das infestações.
Rotação de mecanismos de ação ajuda a evitar resistência
Nos Campos Gerais, o supervisor técnico do DETEC, André de Paula Barbosa, ressalta que as estratégias de manejo variam conforme a sucessão de culturas, já que soja, milho verão e feijão normalmente sucedem culturas de inverno como trigo, aveia, cevada ou plantas de cobertura.
Segundo ele, quando há possibilidade de manter um período de pousio entre a colheita e o plantio da cultura seguinte, recomenda-se realizar a dessecação entre 15 e 30 dias antes da semeadura, utilizando herbicidas sistêmicos associados a moléculas residuais, especialmente os pré-emergentes, que permanecem ativos no solo por dias ou semanas, prolongando o controle das plantas daninhas.
Outro aspecto importante destacado pelo supervisor é a manutenção de uma boa cobertura de palha sobre o solo. Além de contribuir para a conservação do solo, a palhada reduz a incidência direta de luz, dificultando a germinação de novas plantas invasoras.
André também reforça que uma das principais estratégias para preservar a eficiência dos herbicidas é a rotação de mecanismos de ação.
"A utilização repetitiva do mesmo mecanismo favorece o surgimento de plantas resistentes. Alternar mecanismos de ação e realizar o controle ainda no início do desenvolvimento das invasoras aumenta significativamente a eficiência do manejo", explica.
Dessecação também é oportunidade para a nutrição
Além do controle das plantas daninhas, o período de dessecação pré-plantio pode ser aproveitado para fornecer micronutrientes importantes para o desenvolvimento da cultura de verão.
Entre eles, André destaca o boro, nutriente essencial para diversas funções fisiológicas da planta. Para esse momento de manejo, a Cocari disponibiliza a linha Éfforos de nutrição vegetal, incluindo o Éfforos Kit, que reúne duas fontes de boro — ácido bórico e octaborato — proporcionando disponibilidade imediata e liberação gradual do nutriente durante o ciclo da cultura.
Conte com a orientação da equipe técnica
O planejamento do manejo de plantas daninhas deve considerar o histórico da área, as espécies presentes, o estádio de desenvolvimento das invasoras e a escolha adequada dos herbicidas e tecnologias complementares.
A Cocari em parceria com a Universidade Estadual de Maringá e NAPD realizou em junho uma capacitação com todo seu DETEC para aprimorar o conhecimento em manejo de plantas daninhas.
Por isso, a recomendação é que o produtor procure o engenheiro agrônomo ou técnico da sua unidade Cocari para elaborar uma estratégia personalizada de dessecação e iniciar a próxima safra com áreas mais limpas, menor pressão de plantas daninhas e maior potencial produtivo.