Com o encerramento do plantio do milho segunda safra, produtores das regiões de atuação da Cocari entram agora em uma fase decisiva para garantir produtividade e rentabilidade. O momento exige intensificação no monitoramento e manejo adequado de pragas, doenças, plantas daninhas e nutrição das lavouras, conforme destacam os supervisores do Departamento Técnico (Detec) da cooperativa.
Paraná Alto
Na região do Paraná Alto, o supervisor Fábio Ribeiro explica que o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) terminou no fim de março para alguns municípios. A partir desse momento, o foco se volta aos tratos culturais.
Segundo ele, a pressão de pragas aumentou nesta safra. “Além do percevejo e da cigarrinha, que já são conhecidos, estamos com atenção redobrada para lagartas e pulgões, que apresentaram crescimento significativo em relação aos anos anteriores”, afirma Fábio.
Outro ponto crítico é o avanço de doenças, especialmente a mancha de Bipolaris, favorecida pelas condições de alta umidade e temperaturas elevadas. “É uma doença severa e de rápida disseminação, que pode comprometer o desenvolvimento da lavoura logo no início”, alerta.
O manejo de plantas daninhas também exige cuidado. A recomendação é realizar o controle químico antes do estádio V5 do milho, evitando prejuízos à polinização. Já em relação à nutrição, Fábio reforça que o potencial produtivo da cultura é definido nas fases iniciais do seu desenvolvimento, sendo essencial o complemento principalmente com Nitrogênio nesse período.
Paraná Baixo
Em relação à região do Paraná Baixo, o supervisor Rodrigo Rombaldi destaca que o manejo começa ainda na dessecação da soja, etapa fundamental para garantir uma lavoura limpa no início do ciclo do milho. “O uso de herbicidas pré-emergentes tem crescido bastante, justamente pela falta de janela entre a colheita da soja e o plantio do milho. Essa estratégia tem sido eficiente para manter o controle das plantas daninhas”, explica.
Ele também aponta o uso de triazinas em doses mais elevadas como alternativa para aumentar o residual de controle nas áreas. No caso das doenças, a Bipolaris segue como principal desafio. “É uma doença agressiva, que exige manejo preventivo com fungicidas a partir do estádio V4. O uso de carboxamidas tem apresentado ótimos resultados”, destaca.
Já no controle de pragas, o cenário também exige atenção. “Além do percevejo e da cigarrinha, tivemos o retorno das lagartas, que desenvolveram tolerância às biotecnologias. Isso exige monitoramento constante e rotação de moléculas, incluindo inseticidas químicos e biológicos”, aponta Rodrigo.
Cerrado
No Cerrado (Goiás e Minas Gerais), o consultor técnico Eduardo Guerra informa que o plantio do milho safrinha já foi concluído, assim como as principais operações de manejo inicial, como aplicação de herbicidas pós-emergentes e adubação de cobertura.
As ações agora se concentram no monitoramento final de pragas e na sanidade da lavoura. “As aplicações para controle de cigarrinha e lagartas estão em fase final, mas chama atenção a presença de pulgões no pendão, o que exige acompanhamento constante”, explica.
No manejo de doenças, a orientação tem sido preventiva, com aplicações de fungicidas nos estádios V4, V8 e VT. “Recomendamos o uso de carboxamidas associadas a outros mecanismos de ação, especialmente para o controle da Bipolaris. Sempre que possível, a última aplicação deve ser feita na fase reprodutiva, buscando maior produtividade”, reforça.
Além do milho, o sorgo também ganha destaque na região. O plantio foi finalizado, com aplicações de herbicidas e adubação nitrogenada em andamento. O foco está na manutenção da sanidade da lavoura e no controle de pragas, principalmente lagartas e pulgões, que podem afetar diretamente as panículas.
De acordo com o Departamento Técnico da Cocari, o momento é estratégico e exige tomada de decisão assertiva no campo. O acompanhamento técnico e o manejo adequado são fundamentais para proteger o potencial produtivo das lavouras e garantir melhores resultados ao cooperado.